revista máxima psicologa onlineEm Junho de 2016 colaborei  juntamente com outros profissionais no artigo Bagagem Emocional – É possível começar uma relação do zero? da Revista Máxima. Para o efeito respondi a 3 perguntas da Jornalista Sofia Teixeira.

1- Namorar não tem idade. Mas para alguém de 30 ou 40 anos, que julgava por esta altura já poder ter uma vida afectiva estável, pode ser difícil tomar a decisão de voltar a entrar no ‘mundo dos encontros’, sobretudo se já tem filhos de relações anteriores… Que conselhos sensatos se podem deixar a estas pessoas?

 

Como referiu namorar não tem idade, apenas as nossas crenças e pensamentos podem limitar a abertura e disponibilidade emocional para voltar ao mundo dos encontros por isso:

Seja você próprio: apresente-se a si mesmo como é verdadeiramente, o importante é atrair pessoas que querem realmente estar consigo e tenham um interesse genuíno, caso contrário estará a iludir-se e a perder o seu tempo e dos outros.

Identifique o que está à procura: responsabilize-se pela sua futura vida amorosa e não fique simplesmente passivo com pensamentos tais como “o que tiver de acontecer, acontece”.

O que significa isto? Uma forte dose de auto-análise, e em seguida, enfrentar obstáculos internos passados que ameaçam o seu sucesso. Tem de colocar tempo, esforço e energia para realmente entender o quê e quem procura num nível mais profundo, e não superficial.

Esteja aberto a novas experiências e aprendizagens: Seria uma ilusão pensar que a sua próxima relação vai ser idêntica à última (pode acontecer caso haja algum padrão de relacionamento activo). Veja que oportunidades existem à sua volta que possam ajudar a estar em contacto com pessoas novas e interessantes para si, tais como workshops, cursos, eventos.

Reconheça os sinais de alerta: Com a idade vem a experiência de vida e sabedoria e caso pretenda um relacionamento sério esteja atento e ponha de parte as pessoas que demonstrem medo ao compromisso e/ou que estejam emocionalmente indisponíveis.

Assim estará a dar tempo e espaço para alguém mais compatível consigo e nesse caso não quererá apressar o processo com ele. Demora algum tempo para descobrir os seus sentimentos, para a outra pessoa descobrir os seus, para construir um vínculo emocional, de confiança, ver se a outra pessoa é amável, emocionalmente disponível e sensível às suas necessidades. Caso não o seja, não tente mudar essa pessoa, simplesmente deixe-a ir.

 

2 – Há um ‘limite máximo de bagagem’, a partir do qual a nossa mochila já está demasiado pesada para conseguir prosseguir caminho sem esforço… O que é que habitualmente se carrega a mais nesta mochila emocional que pode condicionar o sucesso de futuras relações?

Sempre que um relacionamento termina, é de importância vital cuidar de si mesmo e da sua auto-estima antes de começar a procurar uma nova relação. No entanto, para muitas pessoas, o oposto é verdadeiro. Tentam imediatamente preencher o vazio emocional que foi criado e procuram distrair-se da sua dor e posterior cura/integração. Infelizmente os padrões serão repetidos e com uma nova bagagem adicional a bordo.

Habitualmente carrega-se na mochila emocional o medo – medo da repetição de erros, o medo de sofrer novamente e o medo de ser surpreendido depois de ter confiado. Enquanto o medo é uma emoção muito real e humana, ele pode ser totalmente debilitante ao ponto de destruir um potencial relacionamento saudável cheio de possibilidades sob o peso das memórias.

Não só merecemos viver sem os fantasmas do passado, como o futuro parceiro merece ser visto como ele é na realidade e não como comparações negativas de relacionamentos passados.

 

3- Olhando isto pelo lado positivo, o que é que entretanto, a meio caminho entre os 30 e os 40 já sabemos sobre o amor e sobre as relações (que não sabíamos aos 20) que fazem com que seja mais provável que a próxima relação corra bem? Ou seja: também acabamos por adquirir ferramentas úteis?

Sem dúvida vamos adquirindo ferramentas úteis para a próxima relação. Como dito anteriormente, o avançar da idade dá-nos sabedoria e lições valiosas através da experiência de vida, uma delas é tornar-se mais responsável sobre o que quer na próxima relação e parceiro, sendo a compatibilidade um factor importante; deixa-se de recorrer  aos famosos jogos de sedução ou manipulação emocional e atinge-se uma maior maturidade emocional e relacional; cada pessoa no relacionamento é mais independente o que facilita aperceber-se se a relação é correcta para ambos e aposta-se mais na comunicação de modo a diminuir mal-entendidos e a contribuir para a partilha de momentos felizes e harmoniosos.

 

 

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